Brasil monitora 20 casos em 8 Estados
Por Marília Assunção
Publicado: 29 de Abril, 2009
Goiás investiga três suspeitas ignoradas pelo Ministério da Saúde. Goiano no México relata drama
-O Ministério da Saúde divulgou ontem uma nova lista de casos de pessoas que estão sendo monitoradas por terem apresentado algum sintoma da gripe suína após visitarem alguma das áreas afetadas. No total são 20 casos: 3 no Amazonas, 2 na Bahia, 3 em Minas Gerais, 1 no Pará, 4 no Paraná, 2 no Rio de Janeiro, 2 no Rio Grande do Norte e 3 em Santa Catarina. Nenhum dos casos, porém, era considerado suspeito - por não terem todos os sintomas - e o ministério reafirmava que não havia evidência de circulação do vírus no Brasil. Goiás ontem registrou três casos de pessoas que podem ter contraído a gripe suína. Uma comerciante de Goiânia, de 29 anos de idade, e a filha dela, de 5, que tiveram contato com um representante de produtos hospitalares. O homem é marido da comerciante e pai da criança. Ele retornou doente do México há dez dias e não tinha sido localizado pelas autoridades sanitárias até a noite de ontem. Os casos foram notificados ao Ministério da Saúde, mas não apareciam na lista oficial do órgão, que ignorava também o monitoramento pelo Distrito Federal de uma mulher de 30 anos que teve contato com mexicanos durante um congresso, em Brasília. Em Goiânia, a comerciante e a filha apresentaram febre alta e mal-estar durante vários dias antes de procurarem atendimento médico no Hospital Materno Infantil (HMI). Ambas estão isoladas em uma enfermaria do Hospital de Doenças Tropicais (HDT) desde as 16 horas de ontem, logo após serem encaminhadas do HMI onde a comerciante buscou atendimento para a filha no início da tarde. O quadro clínico compatível com a influenza suína foi confirmado pelo diretor geral do HDT, o infectologista Boaventura Braz de Queiroz, para quem a ligação da viagem ao México é o determinante no momento para manter ambas isoladas, já que o estado gripal está sob controle e a fase é de término do quadro infeccioso. A criança estava com febre alta havia seis dias. A mãe da menina chegou a ficar oito dias com febre alta, segundo o relato feito aos médicos. Ontem, porém, a melhora permitiu que ela e a criança fossem medicadas apenas com antitérmicos e outras medicações comuns em caso de gripe. Contudo, o isolamento é exigido até que saia o resultado dos exames, o que pode ocorrer em menos de 48 horas. Foi coletada secreção nasal das duas. A amostra será analisada por um dos Laboratórios Centrais (Lacens) do País, informou Boaventura. Por enquanto, as duas têm acesso restrito ao interior de uma das quatro enfermarias com isolamento do tipo Hepa, “um filtro de altíssimo poder”, explica o diretor. Apenas um médico e um enfermeiro, por turno, devem ter contato direto com a mulher e a criança. Eles entram na enfermaria utilizando capotes e máscaras especiais que serão incinerados após o contato. O HDT aguarda o envio pelo Ministério da Saúde, que foi notificado imediatamente ontem, de capotes descartáveis. A medicação de controle da doença, o antiviral Osetamivir (Tamiflu), não será administrado nas duas porque já passou o período em que faria efeito, que vai até no máximo 48 horas após a infecção. (