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Empresário é encontrado mortoPor JG com informações do O Popular
Publicado: 17 de Setembro, 2010
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E-mailPaulo Panarello comandava distribuidora de medicamento com 17% de mercado no País - 09h33 - A Polícia Técnico-Científica concluiu no fim da tarde de ontem os desdobramentos da perícia realizada no apartamento do empresário Paulo Panarello Neto, no 10º andar do Edifício Excalibur, na Avenida 136, no Setor Marista, em Goiânia. O corpo do empresário foi encontrado no jardim térreo do prédio, onde morava com a família, por volta das 7 horas de ontem.
Aos 57 anos, o empresário comandava desde 1976, ao lado da mulher, Ester, o Grupo Panpharma - dono das distribuidoras de medicamentos Panarello, American Farma e Sudeste Farma -, que detém 17% do mercado nacional de distribuição de medicamentos do País e cuja matriz é sediada na capital goiana. A notícia da morte do empresário levou para o endereço da família dezenas de amigos, empresários e funcionários da empresa. Com a movimentação policial, o trânsito ficou lento na Avenida 136 e ruas adjacentes.
A polícia ficou sabendo da morte do empresário às 7h30 de ontem. Um dos funcionários do Edifício Excalibur, um dos mais luxuosos condomínios residenciais de Goiânia, ouviu um "estrondo" por volta das 5 horas, mas relacionou o fato com o material de decoração de um casamento marcado para amanhã, que estava no salão de festas do prédio. "Achei que alguma coisa tinha caído", comentou com um funcionário da Panarello. Somente depois de sair para comprar pão e retornar ao prédio, outro funcionário comentou que tinha um homem caído no jardim. "Na hora não reconheci. Ele estava com uma tolha amarrada na cabeça, sem camisa e de calça, não havia sinais de sangue", afirmou o funcionário do condomínio. Tudo indica que o empresário caiu na posição vertical porque as duas pernas estavam fraturadas.
De acordo com o superintendente da Polícia Técnico-Científica, da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, Carlos Kleber da Silva Garcia, ninguém ouviu nada no apartamento da família. Paulo Panarello estava no local com Ester e uma das filhas. "Como o apartamento é muito grande e elas dormiam cada uma em um quarto, não ouviram nenhum ruído", comentou. Ester e a filha foram acordadas com a chegada da polícia, que chamou ao local um chaveiro para abrir a porta de serviços. O funcionário do prédio afirmou que Ester disse à polícia que o marido vinha fazendo uso de medicamentos controlados.
Paulo Panarello caiu da janela de um banheiro de um dos quartos do andar inferior do apartamento duplex que fica no 10º andar. Com 16 andares, cada apartamento do Excalibur possui 1,2 mil metros quadrados, incluindo garagens.
No desdobramento da perícia realizada durante toda a tarde de ontem, os peritos confirmaram que Paulo estava no banheiro do quarto com a janela aberta quando caiu. "A trajetória condiz com a posição do corpo no solo", explicou o delegado Kleyton de Oliveira Alencar, da Delegacia de Homicídios.
Na noite de quarta-feira ele jantou com amigos e familiares num restaurante próximo ao Excalibur para comemorar o aniversário de uma filha que mora em São Paulo e veio especialmente para passar a data com os pais. O grupo, incluindo amigos que também residem no prédio, voltou para casa depois da meia-noite.
"Não esperava isso. Ele estava alegre, era um homem vaidoso. Tinha acabado de fazer cirurgia plástica no rosto", comentou um funcionário da Distribuidora Panarello. O empresário, pai de quatro filhos de seu casamento com Ester, tinha perdido um deles, Marcelo, no fim dos anos 90 em um acidente no lago de Três Ranchos. O rapaz teria sido atropelado por uma lancha. Ficaram um homem e duas mulheres. Nos últimos meses ele perdeu a mãe e um irmão.
A morte do empresário está sendo investigada por dois delegados da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), Kleyton de Oliveira Alencar e Adriana Ribeiro de Barros. Além deles, passaram a manhã no prédio da família o superintendente e vários peritos da Polícia Técnico-Científica e integrantes da Polícia Militar. De acordo com Adriana Ribeiro, por se tratar da morte de um grande empresário em circunstâncias pouco comuns, tudo seria feito de forma minuciosa.
O corpo de Paulo Panarello deixou o Edifício Excalibur no início da tarde de ontem. O velório começou por volta das 21 horas no Cemitério Jardim das Palmeiras, onde será sepultado às 10 horas de hoje.
Grupo atuava em vários Estados
O Grupo Panpharma nasceu em 1976 quando Paulo e Ester Panarello, paulistas, vieram para Goiânia montar um distribuidora de medicamentos para um grande laboratório. A partir de Goiás, entraram em mercados de parte de Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Depois atingiram Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do SulFortaleza (CE) e Recife (PE).
Em julho do ano passado, o grupo alemão Celesio AG, um dos líderes mundiais no comércio de produtos farmacêuticos e serviços do ramo, que atua em 14 países, adquiriu a participação majoritária de 50,1% do Grupo Panpharma. O valor da transação seria de R$ 467 milhões. Paulo e Ester Panarello passaram a integrar os conselhos de administração e comitês de gestão. O filho do casal, Alexandre Fabiano Panarello, assumiu a posição de CEO (chief executive officer) da empresa. Dois membros da Celesio, de origem portuguesa, também passaram a integrar a diretoria da empresa.
Na época, Paulo Panarello comentou que o grupo goiano não deixava nada a desejar a nenhuma empresa de atuação no mercado mundial, seguindo padrões internacionais de práticas e normas de administração. Com liderança absoluta no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o Panpharma foi pioneiro na utilização do SAP, software alemão líder mundial em sistemas de gestão empresarial, da robotização de depósitos para separação de produtos e no uso da nota fiscal eletrônica. Suas filiais também foram pioneiras em adotar a regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como armazéns climatizados e com piso especial. Hoje, a empresa emite mais de 15 mil notas fiscais eletrônicas e separa em torno de 1 milhão de unidades de medicamentos diariamente.(colaborou Lúcia Monteiro).
Governador emite nota de pesar pela morte
O governador Alcides Rodrigues emitiu nota de pesar, no início da noite de ontem, dizendo que recebeu com tristeza a notícia da morte do empresário Paulo Panarello Neto. Na nota, Alcides diz que está consternado, e que presta "irrestrita solidariedade à família e aos amigos" do empresário, que deixou um "legado de empreendedorismo que engrandece nosso Estado e serve de exemplo às futuras gerações".
O governador ainda diz que lamenta profundamente a perda irreparável para o Estado de Goiás e para o Brasil. "Lamentamos profundamente esta perda irreparável para o Estado de Goiás e para o Brasil. Neste momento difícil, rogamos a Deus que conforte os corações de todos que conviviam com Paulo Panarello Neto", diz a nota. Alcides Rodrigues cancelou compromissos da noite de ontem para comparecer ao velório do empresário.
Segundo um morador do Edifício Excalibur, que pediu para não ser identificado, o empresário estava muito deprimido nos últimos dias, depois da venda das ações da Panarello para a empresa alemã. Ele era um empresário dinâmico, andava com três telefones. Depois da venda, os alemães passaram a mandar na empresa e ele sentiu a mudança, afirmou.
O vizinho descreveu Panarello como um homem "educadíssimo". "Ele não tinha inimigos. Õ problema dele foi que vendeu a empresa e entrou em depressão", afirmou. A primeira pessoa que viu o corpo teria sido um personal trainer, que viu e chamou o zelador, conta o vizinho.
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Realmente a depressão é uma coisa terrivel, precisamos nos unirmos para que ela não seja uma causa de muitas ocorrencias terriveis como esta